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  Bem-vindo de volta, pó-de-arroz

Por Casoba on Março 04,2008

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Amigos,

 

A torcida do Fluminense tem vários diferenciais em relação às demais.

 

É uma torcida de elite, sem dúvida, mas não uma elite financeira. É uma elite comportamental. Pessoas mais esclarecidas, consumidoras e educadas que a média.

 

Um outro diferencial é a cor grená. Que outro clube tem a cor grená em sua bandeira?

 

Um outro diferencial é a cor laranja. Que outro clube consegue ter uma quarta cor tão bem adotada por sua torcida sem deixar de ser Tricolor?

 

Antes de prosseguir, façamos um acordo. Pó-de-arroz e talco, talco e pó-de-arroz são a mesma coisa, ok? Podem até não ser, mas aqui, hoje, serão.

 

E sem dúvida nenhuma, não há diferencial maior de nossa torcida que o pó-de-arroz. A grande tradição da torcida Tricolor. E essa tradição nasceu de um outro diferencial: a inteligência. O que era uma crítica dos adversários (em função do jogador que passava o pó no corpo, para parecer mais claro), foi adotado e passou a incomodar esses mesmos adversários, tal a beleza em que transformou-se a festa da entrada em campo dos times do Fluminense ao longo do tempo.

 

Lembro-me bem dos meus primeiros jogos no Maracanã. Nos jogos de maior público, uma implacável nuvem branca tomava conta de todo o estádio. Aos poucos ela ia assentando, permitindo a visão das maravilhosas três cores nas bandeiras desfraldadas.

 

O pó-de-arroz era o principal acessório de um dos maiores ídolos Tricolores: Guilhermino Santos, o Careca. Qualquer Tricolor que tenha vivido os anos 70 e 80 lembra com carinho do Careca, que ficava com sua indefectível bolsa branca, com o escudo Tricolor por fora e abarrotada de talco por dentro. Implacável, o Careca jogava talco em quem quer estivesse à sua volta, fossem adultos, fossem crianças. Os adultos o adoravam. As crianças o idolatravam.

 

Guilhermino esteve tão associado à nossa tradição do pó-de-arroz que temos até a impressão que tão logo ele nos deixou, aos 68 anos, a tradição também parecia ter perdido a força.  Mas não foi bem assim. O talco estava proibido no Maracanã. Um decreto de algum comandante de polícia ousou tentar acabar com uma tradição de décadas a fio.

 

Felizmente houve os guerreiros Tricolores que brigaram pelo retorno do pó-de-arroz e agora obtiveram a vitória.

 

Bem-vindo de volta, pó-de-arroz.

 

Parabéns Guerreiros Tricolores!

   

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