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Chances na Libertadores

Por Casoba on Março 25,2008

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Amigos,

 

Outro dia ouvi o jornalista Paulo Vinicius Coelho afirmando que o Flamengo tinha mais condições de fazer uma boa campanha na Libertadores, por ter mais experiência e tradição no torneio que o Fluminense.

 

Ora, o Fluminense, convenhamos, montou um bom elenco. Pode ganhar e pode perder, mas tem um time competitivo, sem dúvida. O Flamengo pode, claro, ir mais longe na competição. Por que não? Mas seria por experiência ou tradição?

 

Eu creio que a história condena qualquer tentativa de estabelecimento de “teorias da hereditariedade” nas chances dos clubes nos campeonatos. Eles são mais fortes ou mais fracos em função da estrutura que acumularam. Seja de torcida, de patrimônio, de infra-estrutura, em geral. Times fortes têm condições de ganhar campeonatos, independentemente dos times que os antecederam. Times fracos não ganham nada.

Mas como respeito o jornalista PVC, fiquei intrigado com sua afirmação e resolvi pesquisar.

 

Uma pesquisa não muito longa já nos leva à conclusão que tradição sozinha não ganha campeonato, assim como a falta dela não garante o insucesso. Alguns parecem acreditar que jogadores, técnicos, torcidas ou sei lá mais o quê, trazem consigo, geneticamente, em suas entranhas, a tradição vitoriosa de times passados do mesmo clube. 

 

Mas em primeiro lugar precisamos determinar o que seria essa tal de tradição. O número de participações já credenciaria um clube a ser chamado de tradicional? Ou seria pela quantidade de conquistas?

   

Quantidade de participações na Libertadores pode determinar alguma coisa? Bem, em primeiro lugar precisamos considerar que a relação candidato/vaga para a Libertadores é muito menor em outros países que no Brasil. Se não vejamos: no Uruguai, por exemplo, a presença de Peñarol e Nacional é quase que obrigatória. Das 48 edições, o primeiro participou de 37 e o segundo de 35. É quase cruel a comparação com o São Paulo, o mais bem sucedido clube brasileiro na competição, que participou apenas 13 vezes, mesmo número que o Palmeiras.

 

Há vários outros exemplos. O Olímpia do Paraguai participou 35 vezes, enquanto que seu rival, o Cerro Porteño, participou de 32. O Colo-Colo, do Chile, participou 26 vezes, contra 20 do Universidad Católica. Creio que muitos dos amigos sequer conhecem o Sport Cristal, do Peru. Pois ele já participou 27 vezes da Libertadores.

 

Em um ranking por quantidade de participações, os clubes brasileiros que mais participaram (São Paulo e Palmeiras) ficariam apenas em 26º lugar. É razoável tomar como base esse parâmetro? Claro que não, convenhamos.

 

Esqueçamos, portanto, a quantidade de participações.

 

Mas será que as chances do Fluminense de sagrar-se campeão são pequenas por ele não ter ainda conquistado o torneio?

 

Vejamos: Como os títulos do Santos foram conquistados no início da história da Libertadores (terceira e quarta edições), comecemos pelo primeiro clube brasileiro campeão depois dele. O Cruzeiro, grande campeão em 1976, tinha como “tradição” apenas um 6º lugar no ano anterior e um 5º em 1967.  Esse histórico já o credenciava? Então o que podemos dizer do Flamengo, campeão de 81 em sua primeiríssima participação? O Grêmio debutou em 1982, primeiro ano em que se classificaram mais de 2 clubes brasileiros. Ficou em 12º lugar, mas no ano seguinte abocanhou o título.  O que dizer do São Caetano, que disputou pela primeira vez em 2001, ficando em 13º lugar, mas chegou à finalíssima de 2002?  O Santos, encantou o mundo nos anos 60, mas quando voltou ao torneio em 1984, não parecia ter guardado nada daquela tradição. Em uma campanha lamentável, ficou em ante-penúltimo lugar, com 1 vitória e 5 derrotas. Que tipo de genes herdados terá dado forças à equipe de Robinho e Diego para chegar à final em 2003? Será que havia algo de Pelé e Coutinho circulando em suas veias?

 

Não. Definitivamente tradição, sozinha, não ganha nada. Se falarmos em estrutura, em infra-estrutura, a coisa muda de figura. Nesse sentido, acredito sim que o São Paulo, por exemplo, leve alguma vantagem em relação aos demais. O Flamengo não, meu caro jornalista.

 

Não creio que haja nada de Zico e Junior circulando nas veias de Obina.    

 


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  • image Essa questão de tradição em tal competição é uma balela, como foi afirmado em seu texto. Existe times fortes contra fracos. Ganham os fortes, o melhor conjunto ou os que superam-se durante a competição. Os jogadores atuais é que definem o destino do clube dentro do torneio e, por isso, devem ser as melhores peças possíveis.
    (Postado por Raphael Alves, Março 26, 2008, 9:24 AM)
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