Há dez anos exatos, estávamos completamente atônitos. O Fluminense estava perdido em seus próprios desmandos, vivendo uma sucessão de situações humilhantes. O time não emocionava a torcida, que não emocionava o time. A imprensa desprezava o clube que desprezava sua torcida. O choro da torcida não comovia os dirigentes que deixavam irresponsavelmente o Fluminense descer ladeira abaixo.
A torcida já não sorria. Afrouxaram-se os couros dos tambores. O canto, quando havia, era desafinado. Não comovia mais.
Nenhuma canção nova na torcida outrora altamente criativa, mãe do “Sorria”, do “A Benção” e tantas outras canções memoráveis, trilhas sonoras de conquistas inesquecíveis do passado.
Passado? Seríamos um clube do passado? Seríamos folhas mortas? Acabou o gás para cantar um simples refrão? As cortinas se fecharam? O “show” da história do Fluminense estava terminado? Se a gente nota que uma só nota já nos esgota, o “show” perde a razão.
Enfim, era o que parecia. O fim da história Tricolor.
Mas esperem. Não estamos tratando de um clube qualquer. Estamos falando de um dos pioneiros do futebol brasileiro. Estamos falando do único clube brasileiro detentor da Taça Olímpica. Seria o fim, de fato, se não estivesse em jogo o nome Fluminense Football Club. Seria o fim se não existissem os Tricolores, torcedores que escolheram as três cores que traduzem tradição. A torcida que não se entrega. Que não se deixa amedrontar. A torcida que possui em suas fileiras a maior parte da elite intelectual do país.
De repente, os Tricolores sentiram que era hora de levantar a cabeça.
“Nós iremos achar o tom. E fazer com que fique bom outra vez o nosso cantar”. E a gente vai ser feliz. “Olha nós outra vez no ar”.
O show tinha que continuar.
Assim, o Fluminense, apoiado por uma torcida incrível, que lotou os estádios nos momentos mais difíceis, no Rio, em Cariacica, em Juiz de Fora e onde mais foi preciso, mostrou ao mundo que não, não era o fim. A parte mais abominável da imprensa esportiva, que como hienas torciam pelo fim de um dos pilares do futebol brasileiro, foi obrigada a reconhecer que a grandeza do Tricolor das Laranjeiras era muito mais forte do que eventuais resultados do futebol.
Os Tricolores se encontravam em festas dentro e fora dos estádios. Criaram dezenas de “sites” na internet, onde demonstravam seu amor desmedido pelas três cores. O gás estava de volta. As folhas não estavam mortas.
O show tinha que continuar.
O Fluminense aos poucos foi voltando para suas tradições. Voltamos a conquistar títulos estaduais e agora em 2007 voltamos a conquistar um título nacional. Em 2008 estaremos de volta à Taça Libertadores das Américas.
O Fluminense está mais vivo que nunca.
Vamos prosseguir numa trajetória de conquistas. Temos uma competição internacional pela frente. Vamos à luta.
O show tem que continuar.
Parabéns Fluminense! Parabéns Torcida Tricolor! Cento e cinco anos de glórias!
(texto inspirado na música “O Show tem que continuar”, de Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila)
(Postado por Berto Meyer, Novembro 24, 2007, 1:19 PM)