Irmãos Tricolores,
Para quem mora longe do Rio, estar na cidade maravilhosa é muito especial. Para quem morou por 5 anos na Janela Tricolor, em frente ao mais amado do Brasil e ao Cristo Redentor, que já era uma das maravilhas mesmo antes do reconhecimento mundial, ir ao Rio, à Janela e ao Fluminense não tem preço!
No sábado, dia 1º, vivi um desses dias.
Amanheci na Janela e olhei através dela. Lá estava Ele, lá no alto, imponente, recebendo-me, como sempre, de braços abertos. Era impressão minha ou Ele parecia ainda maior, mais...digamos, brilhante? Céu azul no Rio. Que beleza! Lá embaixo, o Fluminense, minha paixão desde sempre. Estádio Manoel Schwartz. “Meu presidente”, pensei, “merece a homenagem, mas merecia mesmo ter o seu nome em um estádio maior e mais moderno, por tudo o que representou para o clube.” Nas arquibancadas, as primeiras camisas cinzas já podiam ser avistadas. Eu estava atrasado.
Era um dia especial. Era o dia em que Peter Siemsen iria conversar com a imprensa para formalizar em definitivo a candidatura da chapa Fluminense Unido e Forte, que pretende assumir a administração do Fluminense a partir de 2008.
Alguns minutos depois cheguei à Álvaro Chaves. Dirigi-me à biblioteca das Laranjeiras. Muito bom estar ali! O local onde vi pessoalmente, pela primeira vez, a figura hoje saudosa dele, do meu presidente Manoel Schwartz, o dirigente mais vitorioso que conheci no Fluminense e que para meu orgulho e honra chamava-me de “filho” desde o dia em que o ajudei a subir as escadas até o salão nobre, para uma reunião do Conselho. Aquele ambiente, usualmente tranqüilo e silencioso, estava apinhado de torcedores. Torcedores que também são sócios, mas fundamentalmente torcedores. Torcedores que em sua maioria talvez nunca viessem a se tornar sócios se o Fluminense não tivesse se afastado de sua trajetória vitoriosa. Torcedores há anos em busca de uma alternativa. Uma alternativa que traga o Fluminense de volta ao seu rumo. A maioria deles, quase todos, trajavam a camisa cinza com a inscrição “Peter Presidente”, pois que àquela altura já haviam se posicionado para o pleito de novembro. Identificaram que têm uma alternativa. E Peter Siemsen discorria sobre suas idéias, mostrando o quanto conhece das entranhas financeiras do clube, sobre como pretende criar um modelo de gestão moderno, eficiente, com parceiros que tornem possível a manutenção do futebol como carro-chefe, competitivo sempre, brigando pelos títulos, e ao mesmo tempo cuidando do passivo financeiro, trazendo o clube para a normalidade, para a legalidade, eu diria, para o cumprimento de seus compromissos e pagamento de suas dívidas. Em resumo, fazendo o Fluminense voltar a ser um clube sério e modelar.
Vários de nós, torcedores de arquibancada, que viemos para o clube na época negra dos rebaixamentos, procurando ajudar em algo, sem mesmo saber como e onde, já identificamos nossa alternativa.
A alternativa Peter.
Peter Siemsen é a alternativa que está atraindo cada vez mais seguidores de diversas correntes dentro do Fluminense. Sim, diversas correntes. Alguns questionam se Peter é oposição, por já ter auxiliado nas administrações recentes. Que importa? Continuidade é o que todos sabemos que ele não é. Peter é diferente de tudo o que já foi visto no Fluminense. Ajudou em outras administrações e ajudará sempre que o Fluminense dele precisar. Essas diversas correntes identificaram nele o potencial necessário para o desafio de encarar a administração de um clube quase insolvente. Uma pessoa jovem, dinâmica, bem sucedida, com folha de serviços valiosos prestados ao Fluminense na área jurídica. E o fundamental: o conhecimento profundo dos problemas financeiros do clube, em especial da engrenagem que encorpa nossa dívida absurda, e que tem planos concretos para controlá-la.
Voltando ao sábado no clube, deixamos a biblioteca após quase duas horas em que os repórteres pareciam não se cansar de fazer perguntas a Peter. Estava marcado um churrasco no bar da piscina para comemorar o aniversário de alguns amigos. Caminhando para o local, ainda de longe, vi a cena que para mim, afastado do dia-a-dia do clube, foi uma grata surpresa: havia um verdadeiro enxame de camisas cinzas. Dezenas e dezenas, talvez centenas de camisas cinzas. Estavam ali velhos amigos que fiz por conta exclusivamente da paixão pelo Fluminense. Amigos dos tempos do “Opiniões Tricolores”. Amigos dos tempos do “site” da Vanguarda Tricolor. Amigos feitos em função da SempreFlu, ora no Fala Tricolor, ora nos Flurrascos ou nos encontros no Bar dos Esportes antes dos jogos. Eles estavam ali em profusão. Estavam em toda parte. Que alegria! Que bom vê-los, vestindo a mesma camisa que eu e acreditando nas mesmas propostas. Irmãos que angariei nos tempos de humilhação suprema de um torcedor, mas que sempre compartilharam comigo a mesma esperança de ver o Fluminense dar a volta por cima. Agora essa esperança estava ali, representada pelas camisas cinzas, pelo brilho nos olhos das pessoas que as compravam e vestiam com orgulho, pelo prazer de ver as pessoas que estavam temporariamente afastadas, novamente ao nosso lado, na luta para derrotar as forças contrárias à modernização e à revitalização do Fluminense.
A situação ainda é favorita. Eles têm a máquina ao seu lado. No entanto, as camisas cinzas estão se multiplicando. Estamos crescendo. Crescendo muito. Assustadoramente, eu diria. Falta pouco para mudarmos a realidade do nosso Fluminense. E o atual presidente, que perdeu o apoio dos seus aliados mais bem-intencionados, começa a se aliar a forças que ajudaram a afundar o Fluminense para a quase obscuridade em passado recente.
Sim, o atual presidente ainda é favorito. A luta ainda é muito difícil. A união das oposições ainda não é total. Os amigos/irmãos da Tricolor de Coração, do meu amigo Paulo Mozart, ainda não estão conosco. Eles, que se encaixam da mesma forma que nós naquela trajetória sofrida do final dos anos 90 e no desejo de ver o Fluminense voltar a ser uma potência esportiva do século XXI. Ainda estamos temporariamente separados, mas a esperança da união persiste e persistirá até o último momento.
E se ela vier, a briga vai ser boa.
Venceremos.
(Postado por runescape money, Janeiro 8, 2008, 10:56 AM)