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Fim de um ano tricolor

Por Guilherme Soares Bastos on Dezembro 03,2007

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Um ano para ficar na historia.

Torcida Tricolor,

 

A vitória sobre o Santos e o conseqüente 4º lugar na classificação geral do campeonato brasileiro, encerraram com a maior dignidade o melhor ano do Flu desde a década de 80. Gostaria de aproveitar esse momento para destacar os pontos positivos, tendo em vista que os negativos foram comentados exaustivamente ao longo deste ano.

 

Começando lá em janeiro, quando um verdadeiro Titanic saiu do clube e (se não me engano) 17 contratações foram feitas. Existia expectativa, esperança e apreensão. Em uma coluna de janeiro, comentando a contratação de Carlos Alberto, escrevi sobre o desentrosamento de uma equipe tão mexida, a desconfiança da torcida sobre a capacidade de PC Gusmão em organizar este grupo e a disputa política interna no clube em ano de eleições como os adversários externos a serem batidos. Nosso campeonato carioca foi um fiasco, PC Gusmão foi demitido e veio o Natalino, hoje endeusado pela torcida mulamba. Mas do Laranjal saiu como demônio...

 

Depois de um segundo turno tão ruim ou pior que o primeiro, eu perguntava “porque não conseguimos transformar essa parceria (com a Unimed) em títulos?”. O time não se acertava. A defesa melhorou um pouco sim, mas o meio e ataque pouco produziam. Avançávamos na Copa do Brasil aos trancos e barrancos. A dupla Cícero-Soares, talvez a maior esperança dentre todas as contratações feitas pelo clube, não repetia as atuações que tivera no ano anterior, pelo Figueirense. Thiago Neves alternava boas e más atuações quando substituía CA. No inicio de abril, desescrevi  o time da seguinte forma, após uma derrota bisonha em Bangu: “Nosso time não tem contra-ataque simplesmente porque ninguém aparece para fazer a ligação defesa-ataque. Meio de campo nulo, ataque perdido, defesa super-exposta e, para completar, um goleiro que não inspira confiança”. Era um time sem coração.

 

Demissão do Natalino, contratação de Renato Gaucho e estréia desse com classificação na CB com um empate heróico a futura-falecida Fonte Nova (sentirei saudade). Naquele momento, não acreditava que Renight poderia fazer alguma diferença para um time não se encontrava esfacelado psicologicamente. Graças a João de Deus, me enganei. Depois do empate com o Patético em pleno Maracanã, escrevi: “o time parece estar se acertando”. E estava mesmo. E não só taticamente mas, principalmente, em espírito.

 

Após a vitória no Paraná, me vi forçado a reconhecer a mudança ocorrida no time: “Palmas para o Renato que, para minha surpresa, conseguiu que o time corresse muito nesses três últimos jogos”. CORRER! Sim, por incrível que pareça, era isso que faltava no time. Nessa vitória, contra um tradicional arqui-inimigo (adversário é pouco) no estádio dele, o time ressurgiu das cinzas. E Magrão, sempre tão discutido, começa a fazer os gols que tanto precisávamos. Com o crescimento do time, cresceu nossa torcida. A festa do primeiro jogo da semi-final contra os Candangos no Maracanã não era feita há muito tempo. Sim, já tivemos mais torcedores, mas a torcida se produziu, se embelezou. Enfim, sentiu cheiro de título.

 

E olfato de torcida acerta de vez em quando. Um empate perigoso no primeiro jogo levou a decisão para Floripa, com o time da casa tendo uma pequena vantagem pelo gol feito no Rio. Mas o título tinha que ser nosso. Investimos, acreditamos, criticamos, erramos muito, corrigimos alguns erros. E o título era nosso há mais de mil anos. Festa tricolor como nunca o Rio havia visto em pleno feriado nacional. Classificação para uma Libertadores tão sonhada. Surge um símbolo, um ícone que encarna o espírito tricolor: Roger, o autor do gol, o nosso “Deus da raça”.

 

Em tempo: semana que vem falamos do segundo semestre.

 

Em tempo 2: Thiago Neves – bola de ouro da Placar. Se o garoto aprender a falar menos, pode ser nosso grande nome no primeiro semestre. Em julho vai para a Europa, sem duvida.

 

Saudações tricolores.

flufanatico@globo.com


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