Vitória sobre o bacalhau é o ponto final de nosso período de trevas
Torcida Tricolor,
Mais do que analisar a atuação da equipe nas duas fantásticas vitórias da semana, quero registrar uma analise mais ampla dos fatos.
Na religião católica, o domingo de Páscoa é o dia da ressurreição de Cristo. Há mais de dois mil anos, os católicos comemoram nessa data nossa capacidade de ressuscitar, de deixar para trás uma vida de erros e renascer para uma vida de acertos, paz e amor ao próximo.
A vitória de quarta-feira passada, vencendo pela primeira vez em mais de 20 anos um adversário estrangeiro fora de casa, deixando nossa equipe não só como primeiro de seu grupo (considerado como “grupo da morte” pelos mais renomados comentaristas esportivos) mas também como a melhor campanha da Libertadores entre todos os participantes, somado à publicação no sitio da FIFA de matéria destacando as recente atuações de Thiago Neves – tudo isso fez de nossa semana algo especial.
Mas ainda faltava uma coisa: nossos antigos e mais tradicionais fregueses, os bacalhaus, ainda estavam atravessados, tal qual uma enorme espinha, em nossas gargantas. Aqueles que antes faziam nossa felicidade, transformaram-se no inimigo a ser batido nos últimos anos. Desde o torneio de 2000 não os vencíamos em campeonatos cariocas. Foram muitas as gozações, declarações das mais infelizes do presidente interino e, para completar, a novela Leandro Amaral que começou este ano.
Por isso, a vitória de hoje tem uma dimensão, uma importância muito maior do que os três pontos ou a primeira colocação no grupo. Ela é o resgate final do orgulho de ser tricolor. Os títulos serão mera conseqüência desse processo, que nos trouxe à atual situação: atuais campeões da Copa do Brasil, 4º colocados no ultimo Campeonato Brasileiro, lideres no grupo do campeonato carioca, lideres no grupo da Libertadores e temos o melhor jogador brasileiro em atuação no Brasil. Percebam que nos últimos anos tivemos Romário e Pet como ídolos em flagrante decadência. Mas esse processo culmina com um ídolo em formação, com um potencial enorme de crescimento.
Que esta ressurreição permaneça a cada dia em nossos corações. E que esta diretoria e as futuras não percam mais os rumos de nossos caminhos tradicionais de vitórias e títulos.
Em tempo: ÔÔÔ, Fluminense eterno amor, é por isso que eu canto, que eu visto esse manto, orgulho de ser tricolor!
Saudações tricolores
Guilherme Bastos
flufanatico@globo.com