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Foi tudo um sonho, eu acordei!

Por Guilherme Soares Bastos on Junho 24,2008

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Ingressos da final – uma história

 

Torcida Tricolor,

Há mais de uma semana já sabia que hoje seria iniciada a venda online dos ingressos para a grande final da Libertadores. E também já sabia quantos ingressos estariam disponíveis para a venda, já que as cotas das torcidas organizadas, das agências de turismo, dos patrocinadores e da SUDERJ foram divulgadas. Apesar de ter meu passaporte, tal qual outros 50mil tricolores, o assunto me interessava pois um primo de São Luiz – MA, estaria comprando seu ingresso pela internet. O pai deu a viagem de presente por ter passado no Vestibular. E como somos muitos os portadores de passaporte, a disponibilidade de ingressos para venda tem que ser feita de forma muito criteriosa. Para evitar superlotação, os portadores do passaporte tiveram que confirmar sua presença na semana seguinte ao jogo contra o Boca e receberam seus ingressos em casa.

Outros torcedores, que não têm passaporte nem acesso à internet, poderiam comprar por telefone, através de seus cartões de crédito. A venda online e telefônica estava disponível apenas para quem se dispusesse a comprar ingressos inteiros, devido à impossibilidade de se comprovar a situação de estudante. Aqueles que nem cartão de crédito possuem, poderiam encontrar seus ingressos disponíveis em 5 pontos de venda, em locais estrategicamente escolhidos, de forma a viabilizar a compra de ingressos de qualquer setor do Maracanã em todos eles. Nesses pontos de venda, aqueles torcedores mais ansiosos encontraram, quando chegaram na noite anterior, gradeamento de separação, formando uma fila única e dificultando o acesso de pessoas de fora da fila, os chamados furões. Senhas seqüenciais foram distribuídas conforme os torcedores chegavam. Cada senha dava direito a comprar até 4 ingressos do mesmo setor, para aqueles que estavam ali para comprar para a família. Fiscais que distribuíam as senhas também eram responsáveis pela organização e manutenção ordenada da fila.

O sócios do clube, aqueles que contribuem mensalmente para a manutenção do patrimônio físico da instituição, são merecedores de uma tratamento especial. Mas, ao invés de repetir uma prática nefasta de outros clubes, que vendem ingressos de forma sorrateira para alguns conselheiros, o Tricolor permitiu que os interessados entrassem em contato por telefone com a secretaria do clube durante a semana que antecedeu o inicio das vendas e reservassem seus ingressos, limitado a 5 unidades por sócio. No dia de inicio das vendas, bastava chegar na secretaria, mostrar os comprovantes para pagamento de meia entrada, digitar sua senha após passar sua carteira de sócio com tarja magnética no PDV e pegar seus ingressos. O valor da compra será lançado no boleto bancário de cobrança da mensalidade do clube, como em todos os jogos. Aqueles ingressos que não forem retirados nos dois primeiros dias, serão colocados à disposição para venda pública em lote suplementar.

Por uma questão de justiça, iniciou-se a venda online, telefônica e nas bilheterias no mesmo horário. Os bilhetes, emitidos eletronicamente no local de venda, traziam numero do assento ao qual o torcedor teria direito. Essa numeração é respeitada por todos dentro do estádio. Além disso, um pequeno display eletrônico (um placar) atualizado a cada minuto, mostrava com uma contagem regressiva, em cada bilheteria, o saldo de lugares disponíveis, de forma que os torcedores que estivessem no fim das filas de bilheteria poderiam estimar se conseguiriam comprar seus ingressos ou não. Não houve necessidade de policiamento, porque mais uma vez a torcida tricolor se mostrou diferente das outras torcidas e respeitou toda a organização montada pela diretoria.

Ao fim, e infelizmente, muitos torcedores (aliás, a maior parte dos interessados) ficaram sem seus ingressos. Voltaram tristes e decepcionados para suas casas, mas conformados. Afinal, tudo tinha sido feito de forma organizada e transparente. Se ele não conseguiu comprar o ingresso dele é porque tomou as decisões erradas. Não podia culpar mais ninguém, a não ser ele mesmo. Mas, no fundo, estava feliz, pois sabia que no Mario Filho, na noite do dia 02/07/08, estariam 85mil tricolores fazendo uma festa jamais vista naquele estádio, comemorando um título inesquecível. E ele, assistindo pela televisão, compartilharia da emoção de torcer pelo clube das três cores que traduzem tradição, paz, esperança, vigor, honestidade, organização, respeito e caráter.

Em tempo: You may say, I’m a dreamer. But I’m not the only one.

Em tempo 2: Não vou perder meu tempo falando de Carlinhos e David. Mas gostei do Uendel.

Saudações tricolores

Guilherme Bastos
flufanatico@globo.com


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