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Medo de vencer

Por Guilherme Soares Bastos on Julho 05,2008

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Se a dor é grande, o orgulho é maior!

Tricolores do Brasil,

Desde minha saída do Maracanã não penso em outra coisa se não sobre esta coluna. Escrevo quase 24h depois do nosso “Maracanazzo”. Só agora, depois de ver novamente alguns lances do jogo, os gols e os pênaltis é que estou conseguindo acalmar minha alma. Sim, a derrota doeu na alma.

Minha opinião é bastante simples: a LDU, desde o primeiro segundo sabia exatamente o que queria. Seu objetivo era retardar ao máximo o jogo, se possível marcar um gol de contra-ataque, se preciso jogar a prorrogação e, se necessário, ir para a disputa de pênaltis. Mesmo depois de estar perdendo por 3x1, ela não abriu mão de seu esquema cauteloso e premeditado. Óbvio que foi muito ajudada pelo ridículo juiz que apitou a partida. E, verdade seja dita, começamos a perder o campeonato no lamentável primeiro tempo em Quito. Mas aconteceu no segundo tempo de ontem o mesmo fenômeno que no segundo tempo de Quito. Nosso time não acreditou em si mesmo.

Da mesma forma que nos retraímos depois de marcar o segundo gol na primeira partida, inexplicavelmente cometemos o mesmo erro aqui depois de marcar o terceiro gol. Não poderíamos ter deixado a LDU levar o jogo para onde ela queria. Ao conseguirmos empatar a decisão, nos acovardamos, tivemos medo de vencer. Entramos no jogo deles. Deixamos nos dominar e agora não nos resta nada mais não ser lamentar esta perda e lembrar com orgulho de tudo o que foi realizado ao longo do caminho.

Estive na Lagoa Rodrigo de Freitas no domingo. E eram dezenas de camisas tricolores circulando, com dezenas de crianças vestindo as três cores com o maior orgulho. Vi pessoas vindo de todo o Brasil para assistir ao jogo. E diferentemente de jogos de times paulistas ou gaúchos, não eram repatriados. Eram pernambucanos, amazonenses, brasilienses, alagoanos, enfim, gente de todo o Brasil que torce pelo Flu. Mostramos para o Brasil e para o mundo o tamanho de nosso time, a paixão de nossa torcida. Nosso orgulho, tão ferido no final do século passado, foi resgatado definitivamente.

Fizemos a festa mais linda que um time já fez no Maracanã. Inesquecível. Indescritível. Inacreditável. Um marco. Foi a primeira. Outras festas, tanto nossas quanto de outros times, virão. Mas esta foi a primeira e sempre será. Nosso time atuou de forma corajosa. Erramos sim. Ygor, se Deus quiser e Renato permitir, fez sua ultima partida com a camisa do Flu. Mas nós e a LDU já sabíamos de nossos defeitos. Não somos nem fomos perfeitos. Mas lutamos com garra e determinação.

Foram necessárias três finais de Copa do Brasil para vencermos a primeira. A LDU disputava sua quinta Libertadores seguida, sendo sua segunda final. Experiência pesa na hora da verdade. Tivemos o melhor time, a melhor campanha, derrotamos adversários fortíssimos, protagonizamos os melhores jogos de futebol do ano, ou mesmo dos últimos anos, no mundo. Temos que levantar a cabeça pois em nada fomos ridículos, amarelões ou qualquer termo pejorativo que quiserem utilizar contra nós.

Aliás, sobre as outras torcidas, é preciso deixar claro que tive muito mais torcedores de outros times me apoiando e dizendo que tinham torcido pelo Flu do que chatos de plantão, que na falta de time melhor para torcer, ficaram inventando meios de gozar os tricolores. A isso se chama, popularmente, de “ejacular com pênis de outrem”, que normalmente é reação de marido voyeur e swingueiro. Me parece, portanto, que o swing esta na moda entre uma certa torcida mulamba...

Em tempo: frases como “brasileiro 2008 e carioca 2009 são obrigações” não me comovem nem seduzem. Titulo não é obrigação. Título é conseqüência. Corremos um grande risco. Podíamos ter vencido e tudo estava certo – mas não deu. Agora é conseguir levantar o moral do time o que é muito difícil. Lembrem dos bambis ano passado quanto tempo demoraram para reagir à derrota. A tarefa é árdua. Mas é possível.

Em tempo 2: É por isso que eu canto, que eu visto este manto, orgulho de ser tricolor!

Saudações tricolores

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