Escrever o quê?
Um dos papéis mais importantes do colunista é tentar jogar um olhar diferente sobre os fatos. Tentar somar, com um senso crítico mais apurado, argumentos e observações de modo a ajudar o leitor a tomar suas conclusões. Mas como fazer isso, como alcançar o diferencial quando os fatos são tão óbvios e tão tristes?
Vi alguns jogos, ou parte deles, neste final de semana. Dois de SP, um do campeonato francês e outro do português. Em todos eles, os jogadores corriam até seus limites físicos serem alcançados, buscando incessantemente a vitória. Alguns perderam, outros ganharam, mas todos correram.
A pergunta que não quer calar é: porque há mais de um ano, o time do Fluminense com qualquer técnico, com qualquer jogador, simplesmente não corre.
Nosso clube é reconhecido nacional e internacionalmente por formar times medianos tecnicamente porém aplicados a níveis extremos até alcançar os títulos. Nossos famosos “timinhos” fizeram historia pelos gramados do Brasil e do mundo, sempre mostrando uma vontade singular de vencer. No entanto, ao montarmos equipes consideradas tecnicamente superiores (no cenário nacional), não conseguimos que este espírito, que esta alma vencedora ressurja.
Alguns de nós afirmamos que a culpa é dos salários em dia, mas o time do São Paulo também recebe em dia e corre. Outros apontam a grande quantidade de jogadores novos, porém o time do Palmeiras demorou um pouco mas melhorou seu desempenho. Tem aqueles que apontam patrocinador e/ou diretoria, mas com esta parceria fomos campeões em 2005 do carioca, fizemos a final da Copa do Brasil e um bom campeonato brasileiro. É óbvio que o técnico sempre é lembrado, mas será que os sete treinadores que passaram por nosso clube nesse período são tão incompetentes assim?
Tudo o que nós, torcedores, pedimos é vontade de vencer. É inadmissível um time entrar em campo sabendo o quanto uma vitória era importante para manter as chances de classificação para uma semi-final e simplesmente não demonstrar o menor sentido de urgência. Nosso time não tem contra-ataque simplesmente porque ninguém aparece para fazer a ligação defesa-ataque. Meio de campo nulo, ataque perdido, defesa super-exposta e, para completar, um goleiro que não inspira confiança. Fez boas defesas mas a bola do gol era defensável. Em suma, o caos!
Minha esperança de que a alma tricolor tivesse sido recuperada naquele segundo tempo da vitória contra a mulambada foi derretida pelo sol de Bangu, se mostrando como uma terrível pegadinha de 1º de abril. E confesso não ter nenhuma sugestão a dar para tentar mudar isso.Só dor.
Saudações tricolores.
flufanatico@globo.com
(Postado por Guilherme Bastos, Abril 3, 2007, 5:37 AM)