Torcida Tricolor,
Colunista dá o braço a torcer depois de criticas incisivas da semana passada. Sábado pela manhã estava negociando a agenda do dia com a patroa. Compras, festinha infantil, texto para o mestrado...enfim, eram muitas as atividades. Mas tinha o jogo no Maracanã. E mesmo com time reserva, mesmo jogando contra o time atual campeão mundial, decidi levar meu filho de oito anos ao jogo. Afinal, seria um jogo tranqüilo, de pouca torcida e, portanto, sem estresse de negociação com a cara metade. Convidei um amigo de meu filho, garoto de atitude, tricolor de coração apesar do pai flamenguista. Tinha prometido levá-lo a um jogo e, apesar do risco de derrota, achei que seria uma boa oportunidade. O pai, zeloso que é, se incorporou a caravana tricolor e fomos os quatro.
Entramos no estádio com o juiz apitando o inicio do jogo. Sincronia perfeita! “Bom sinal” pensei eu. No caminho do estádio tínhamos conversado sobre a diferença de perfil da nossa torcida para as outras torcidas do Rio, principalmente a torcida da mulambada, e como o movimento “Legião Tricolor” estava impactando no comportamento de todos os torcedores. Ao entramos na arquibancada, qual foi a primeira pergunta de meu amigo curioso? “Onde esta a Legião?”
Jogo inicia com nosso time B jogando de forma bastante parecida ao jogo contra o grêmio: correndo e marcando com muita disposição mas errando muitos passes. Como CA estava contundido, as jogadas fluíam com mais rapidez mas sempre interrompidas por um erro de passe de Romeu, ou de Ivan, Ou de Rafael, ou de David. Ou mesmo uma matada na canela do Rafael Moura. Por outro lado, os campeões mundiais não faziam muita coisa e pouco ameaçavam nosso arqueiro.
Após a saída de Fernandão e do gol de falta do Thiago Neves, tudo mudou. Os colorets foram ladeira abaixo e nosso time cresceu de produção. No intervalo, trocamos de lado com a torcida e ficamos muito próximos ao grupo principal da Legião. E com um inicio de segundo tempo alucinante, o time fez mais dois gols e vencemos por nocaute! Poderia ter sido de mais, mas venhamos e convenhamos, não cabe aqui sermos exigentes demais. A felicidade estava no ar. Noite perfeita, saída pelos corredores do Maracanã cantando a versão do clássico dos Beatles, que batizei de “Submarino Tricolor”, meu filho e seu amigo em verdadeiro êxtase, enrolados na bandeira que compramos e o pai, em deslize momentâneo, afirmando que estava pensando em se tornar tricolor. Puro exercício de somar razão e emoção com identificação intelectual.
Se um time precisa de bom clima para ter seu melhor desempenho, não poderíamos pedir mais. Está tudo pronto para a guerra de quarta-feira. Que venha o Figueira!
Em tempo 1: que juizinho sem vergonha o de ontem! Os colorets bateram como gente grande e o cara pouco fez para coibir. Dois jogadores deles (Tite e Edinho) precisavam tirar porte de arma para suas chuteiras. “Isso” foi campeão mundial? Que decadência!
Em tempo 2: coluna sem analise individual dos jogadores, mas tenho que citar o Roger. Foi um gigante na defesa e mostrou pro Ivan como um lateral de verdade tem que jogar no terceiro gol. Tomara que o garoto tenha aprendido a lição e aplique os novos conhecimentos adquiridos na quarta.
Em tempo 3: e essa quarta-feira que não chega...
Saudações tricolores.
flufanatico@globo.com