header Colunas Página Principal | Home Page Torcida Tricolor
Procurar no site   Procura Avançada »
Colunas




email Enviar para um amigo | print Versão para impressão | comment Comentários (0 postados)

Meu reino por um assassino

Por Gustavo Valladares on Julho 14,2005

image

 

Vou ser bem sincero, pessoal – eu não agüento mais.

 

O jogo do último domingo, frente ao Botafogo, foi a gota d’água.  Vencemos, é verdade.  Mas que ninguém pense, por favor, que estou choramingando de barriga cheia - vencemos a duras penas, a duríssimas penas.  Fomos, praticamente por todos os noventa minutos, inteiramente dominados, incrivelmente dominados pelo esquadrão paraguaio do Botafogo, não é mole, não.  E acabamos vencendo com um gol marcado pelo nosso lateral direito, Gabriel, na cobrança de um pênalti algo mandraque, a meu ver inventado – felizmente, diga-se – pela arbitragem. 

 

Tem sido assim a caminhada do Fluminense neste Campeonato Brasileiro, marcada por vitórias dificílimas, decididas, na maioria esmagadora das vezes, em lances fortuitos – cada vitória um parto, cada pontinho marcado um suplício, cada gol um martírio.  E não temos conseguido deslanchar na tabela pelo simples motivo de que, desde há muito, necessitamos de alguém que tenha facilidade em empurrar a pelota de encontro ao barbante, como se bebendo água estivesse. 

 

As bolas não estão caindo como se deve, como se espera.  Centenas de jogos disputados, milhares de chances claríssimas de gol, milhões de intermináveis segundos, angustiantes minutos.  Horas e mais horas de bola rolando – e a sacana simplesmente não entra do modo mais simples, pelo caminho menos complicado.  E nunca, isso nunca mesmo, com a freqüência tranqüilizadora com que sonhamos.

 

Não se iludam: mesmo desde bem antes da longínqua e malfadada final da Copa do Brasil tem sido assim – precisamos urgentemente de um homem-gol que seja capaz de, finalmente, honrar esse rótulo de uma vez por todas. 

 

Temos o Tiuí, temos o Léo Guerra, temos o Beto, temos o Leandro – pra não falar do próprio Tuta, que ficará de molho por mais cerca de um mês, até que retorne.  Todos jogadores medianos, uns melhores, outros piores, como é natural.  Péssimos atacantes, todos eles, porém.  Bons atacantes fazem gols às pencas; se não os fazem, não são bons – é simples assim.  Os caras cabeceiam, chutam, batem de bico, de peito de pé, de três dedos, de trivela, tentam de dentro da área, de fora da área, de voleio, de bate-pronto, arriscam de coxa, de canela, de bicicleta, de moto, de patins – e, às vezes, sejamos justos, uma bolinha ou outra acaba caindo, pela insistência, pelo cansaço.  Mas não passa disso. 

 

Tou de saco cheio de petelecos, de chutinhos de moça, de conclusões bisonhas, de toquinhos de efeito, de ridículas escorregadelas na hora da conclusão, de gente que penteia em demasia a bola, ao invés de descer o sapato na dita cuja, com amor e com vigor.  Todos, sem exceção, têm virtudes – Leandro e Beto movimentam-se bem e têm certa habilidade, Léo Guerra possui boa estatura, talvez apenas boa estatura.  E Tiuí tem velocidade, além de prestar boa ajuda na marcação da saída de bola adversária.  No entanto, infelizmente, demonstram todos eles, a cada dia, a cada rodada, total incapacidade para o nobre ofício de fuzilar as redes do inimigo dignamente – falta-lhes sempre alguma coisa a mais, a cada um deles.

 

Mesmo o Tuta, que, longe de ser o salvador de nossa Pátria, é, disparado, o nosso mais eficiente atacante, apresenta determinadas características que, por vezes, conseguem anular suas qualidades de razoável goleador – é expulso com freqüência, por perder a cabeça com facilidade; vez ou outra, desliga-se do jogo, de modo displicente; demonstra certa lentidão em alguns lances capitais; sem contar que, no íntimo sabemos bem, ele não é essa Brastemp toda, afinal.  E ainda temos que conviver com a realidade de que, quem sabe, o Tuta nem sequer volte a vestir o glorioso manto tricolor, após o período de recuperação da cirurgia a que foi submetido – como temos conhecimento, surgem a todo instante, no noticiário esportivo, propostas e mais propostas supostamente irrecusáveis, oriundas de esquadrões japoneses ou ucranianos ou etíopes, de empresários portugueses ou turcos ou gregos, para que ele migre pra outros cantos do planeta e abandone de vez o nosso barco.

 

Perplexos, portanto, diante deste quadro nada animador, corremos o risco de assistir ao time começar a cair pelas tabelas, em um campeonato dos mais tetas da História.  Não há bicho-papão pelas redondezas – há bons times, nenhum que assuste de verdade –, e ainda podemos chegar, mas, a seguir nessa tocada, sem um centroavante de peso lá na frente, acho que não vai dar, não, hein, pessoal.  Não demora, e o campeonato vai começar a afunilar de vez, e passaremos, então, a saber, de verdade, quem realmente tem bom estoque de garrafas vazias pra vender, ou não.

 

A bola pipoca pra lá e pra cá, bate na canela de um e de outro, passa rente ao poste, cruza toda a extensão da pequena área, o último passe não sai, todo mundo fura, resvala nas traves, trisca o travessão, pega o efeito errado, vai na direção torta, explode na zaga, o beque salva, o desgraçado do goleiro adversário faz defesas impossíveis, uma atrás da outra. É enlouquecedor.

 

E a coisa anda tão feia, mas tão feia, que, mesmo nos treinamentos, os nossos supostos atacantes não conseguem marcar, fazendo com que surjam, aqui e ali, cenas incomuns, estranhíssimas, que, por vezes, nos remetem a roteiros típicos das piores temporadas de “Arquivo X” ou do antigo “Twilight Zone”:  o Zé Carlos, gente, até o Zé Carlos fez um golzinho, dia desses, na semana anterior à que sofreu afundamento de um dos ossos da face.  O nosso Zé, aquele mesmo.  Ninguém marca, e o Zé marca. É dose.  Não bastasse, pra piorar, ainda me ameaçam manter o Thiago – meu Deus do céu, o Thiago ainda está pelo Laranjal, socorro! – de centroavante!  Cadê o Mulder?  Cadê a Scully?! É assustador!  É bizarro!  É além da imaginação!  É muita desgraceira!  O fim dos tempos!  “Guerra dos Mundos” perde!

 

Thiago, o Indecente, aliás, merece mesmo, senão um capítulo especial, ao menos um parágrafo de destaque – a Besta ficou nada mais nada menos que duzentas e trinta e nove mil vezes na banheira, no domingo passado. E observem que o Animal só jogou o segundo tempo!  Além de não jogar nada, ainda atrapalha o resto do time, o tempo todo! 

 

É papo sério, pessoal – eu compro, eu troco, eu faço qualquer negócio, preciso com urgência de um assassino, de um destruidor, de um aniquilador, eu quero um homicida sórdido, frio como gelo, como os dos filmes do Tarantino, um mercenário ou terrorista, também vale um homem-bomba, claro, desde que a bomba seja santa – Rivelinooo, cadê o eco? –, alguém que saiba minar os sistemas defensivos e destroce os adversários, um ninja, meu Deus, um ninja seria a glória!  Quem sabe um personal serial goleator daqueles, das Organizações Tabajara?  Eu quero alguém que detone, que barbarize, que estraçalhe, que mate o jogo com o apetite voraz de um guerrilheiro enfurecido, que comande a tábua de artilheiros de cabo a rabo, que marque gols de todo tipo, de todo jeito, de dia ou de noite, debaixo de sol ou de chuva, em qualquer lugar.   Nem que seja só de passarinho, como o que o genial porra-louca do Rogério Skylab imortalizou, eu quero é matador, eu quero é matador, eu quero é matador!

 

Só assim eu começaria a ter paz, acreditando que o sonho de disputar a Libertadores, com chances reais, já pro ano que vem, é mesmo possível, afinal.

 

E a Diretoria segue irritantemente atrás de zagueiros, de alas, de volantes de contenção.

 

Assim não pode, assim não dá.

  

* * --- * *

  

 Tsc, deu nisso, eu deveria saber – pra que é que fui rever o “Pelé Eterno” anteontem?...

  

 


238 leituras realizadas

Você gostou desta coluna?

1 2 3 4 5 Rating: 5.00Rating: 5.00Rating: 5.00Rating: 5.00Rating: 5.00 (total 4 votos)
comment Comentários (0 postados)
Mais populares
Mais comentadas