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Um é par, dois é ímpar

Por Gustavo Valladares on Novembro 02,2005

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Longas ausências, motivadas por invernos tenebrosos, costumam cair em plena primavera, eis a dura realidade, por mais incrível que possa parecer – senão regra geral, pelo menos pra quem trabalha num cartório eleitoral, em tempos de realização de pleitos, eis que os mesmos acontecem, tradicionalmente, como se sabe, no início dessa estação do ano tão simpática e tão florida. 

 

Há um mês, mais ou menos por aí, uns quarenta dias talvez, não tenho tempo pra nada.  Nada que não seja trabalho, que não seja trampo, que não seja ralação.  Perdi diversas aulas na Aliança, não sei mais o que é malhar, parei com a pelada das quintas à noite, e devo ter que voltar pelo menos uma posição no meu RPG sagrado, que simplesmente abandonei.  Sem falar que até a alguns jogos do Fluzão deixei de assistir, por conta de plantões obrigatórios, de cursos-relâmpago na sede do Tribunal, de intermináveis reuniões, de caça a mesários fujões, de atividades mil, ligadas ao tal do Referendo.  Parei no tempo, fiquei perdidaço no espaço.  Isso não é vida, senhoras e senhores.  Mas é assim, mesmo, afinal – já estou, de certa maneira, meio que acostumado a essas, digamos, sazonalidades laborais.  Daqui pra frente, a gente precisa ter fé, né, tudo vai melhorar – ou pelo menos até que chegue a próxima eleição, ano que vem...

 

Pois o Referendo veio, e, com ele, seu resultado, já previsível, em função das pesquisas de opinião das últimas semanas – o “não” acabou mesmo vencendo o “sim”, e de goleada: exatos 63,88% contra 36,11% de votos válidos, já descontadas as abstenções.  Muito se falou, muito se escreveu sobre o tema, mas, sendo bem franco, batendo a real pra vocês, a verdade é que, ao que parece, ninguém tem a mínima idéia do que significou esse resultado das urnas, que suscitou milhares de interpretações por todo lado.  Até porque, desde a sua concepção, o Referendo 2005 andou mesmo obedecendo a uma lógica um tanto distorcida  – não há quem pense em um “não” antes de um “sim”, e no entanto, por meio de sorteio, a opção 1 virou “não”, a 2 “sim”.  Um era par, dois era ímpar, ou quase isso.  Experimentem perguntar por aí, vamos lá – não ou sim?  Não rola, não tem sonoridade.  Rola o normal, sim ou não?  Sem falar que a própria pergunta, uma afirmação, continha nada menos que duas palavras de cunho negativo, que se anulavam mutuamente, “contra” e “proibição”.  Havia nexo na frase, é bom que se reconheça – mas bem que poderia ser um pouco mais clara, um pouco menos complicada.

 

Enfim, agora já foi, agora já era.  Ficamos – ou fui só eu? – apenas com a sensação de que tudo andou meio que de ponta-cabeça, como se clareza pudesse ser inimiga de transparência, ou algo assim, nada mesmo a ver. 

 

Pois essa sensação estranha, a de que vivemos tempos de lógicas invertidas, como se alguma coisa estivesse fora de ordem, fora da ordem mundial, parece intensificar-se sobremaneira, por vezes, quando transportamos a ação para o Laranjal, em especial para o momento atual que vive o Fluzão – ou alguém aí imaginou que não iríamos tocar no assunto Fluminense Football Club? 

 

Senão, vejamos: agorinha mesmo acabamos de sapecar o Goiás em pleno Serra Dourada, com mais um gol salvador – I love my Pet! – da série Últimos Minutos, um feito notável, não apenas pelas dificuldades de se jogar fora de casa contra um adversário que faz campanha tão boa quanto a nossa, mas também e principalmente pela escrita que se formou em torno desse confronto – temos levado ferro direto, por lá, nos últimos anos, feio demais –, e estamos, nada mais, nada menos, na vice-liderança do campeonato, a seis rodadas do final, ainda – sim, senhor; sim, senhora! – com chances reais de brigar pelo título.  Podemos cair pro terceiro lugar, é verdade, porém o Inter só joga hoje à noite e, quem sabe, o Paraná não nos apronta uma bela duma surpresa...

 No entanto, parte da torcida tricolor, que arrisco ser a maioria, segue atônita, sem conseguir vislumbrar explicação razoável para esse fôlego todo da equipe, a essa altura da competição – ok, eu admito, ‘tou nessa também, mea culpa, mea culpa... 

Temos um goleiro que não inspira a mínima confiança – alô, fãs do Kléber, comportem-se, hein, por favor –, e uma zaga truculenta, botinuda, que bate cabeça todo o tempo.  Os caras não sabem sair jogando – ok, com um pouco de esforço, o Ígor um pouco melhor que o Gabriel Santos – e, embora possuam boa estatura, costumam perder bolas adoidado, pelo alto, fato irritante, capaz de fazer até a pacata ala dos monges tibetanos tricolores perder a santa paciência.  O outro Gabriel, nosso lateral-artilheiro, é o único que salva a defesa, eis que tampouco morremos de amores por nosso lateral-esquerdo-dublê-de-armador, o nobre Juan. 

Na meiúca, os únicos que se encontram acima de qualquer suspeita são o craque Petkovic e, claro, guardadas as devidas proporções, o Arouquinha, nosso mais cuidado projeto-de-craque – Marcão, Marcos Aurélio, Mílton do Ó, Preto, Radamés, Romeu, outros menos votados, carregam um pianozinho aqui, outro ali, alternando boas com más atuações, e coisa e tal, e vamos nós.   

O nosso ataque talvez seja o setor mais equilibrado da equipe, embora não venha funcionando tão bem quanto gostaríamos todos – Leandro e Tuta fazem, no papel, uma dupla perfeita, mesclando movimentação com presença de área.  Porém, Leandro raramente acerta o pé, e o Tuta andou amargando bom período, também, sem balançar as redes. 

 

Do nosso banco de reservas – eis que dizem por aí termos elenco, não apenas um time –, muito pouco podemos aproveitar: Fernando Henrique, Zé Carlos, Tiuí, Juninho e Lino são de trincar... talvez só se salve o Beto, que, quando entra, sempre oferece boas opções de jogo, eis que se movimenta bastante e tem uma característica importante pra saúde de qualquer time, a de arriscar chutes de média distância.

 

Querem mais? O que dizer, então, das supostas lambanças do senhor Abel Carlos da Silva Braga?  Podem conferir, basta entrar em qualquer bate-papo da internet ou rodinha de bar constituída por tricolores – o nosso treinador está longe, mas muito longe mesmo, de ser considerado uma unanimidade entre os torcedores do Fluzão...

 

Assim, de supetão, lembro-me de algumas das pérolas abelianas com as quais convivemos, meio que aos trancos e barrancos, durante este ano: no início de 2005, durante a pré-temporada – estive em Teresópolis, eu vi, eu vi! –, escalou o inacreditável Jancarlos como cobrador oficial de escanteios e faltas, mesmo tendo o Felipe e o Preto na equipe,  e, não bastasse esta aberração, ainda passou a incumbência, pasmem!, para o Juan, tão logo o Jancarlos transferiu-se para o Atlético do Paraná;  vetou a contratação de diversos jogadores, até do Pet!, e no entanto foi capaz de indicar Lino e Léo Guerra pro Laranjal;  dia desses, substituiu, numa tacada só, nossos dois alas, Gabriel e Juan, para a entrada de Juninho e Tiuí, embolando o meio e abandonando totalmente as laterais do campo, numa atitude maluquete-suicida que, a rigor, nem mesmo o Rinus Mitchels dos bons tempos do carrossel holandês ousou arriscar.  E o que dizer, hein, de sua obra-prima, insistentemente testada e não aprovada, a entrada do Lino na equipe com o conseqüente deslocamento do Juan para o meio-campo – um primor de estratégia tática! 

 

Pois bem, não temos uma equipe plenamente confiável, tampouco nosso técnico é uma Brastemp, e ainda há, a se colocar na balança, como circunstância agravante, o incrível fato de que somos a única equipe, nesse Campeonato Brasileiro, a jamais jogar em casa – salvo o nosso jogo de estréia! 

 

E seguimos, desde o início da competição, na ponta de cima da tabela, brigando a boa briga, virando jogos impossíveis, tendo desempenhos surpreendentes, matando de raiva todos os analistas de plantão, contrariando a lógica, enlouquecendo nossos irmãozinhos vulcanos que nos assistem via PPV espacial – esse Fluminense é mesmo fascinante, diria certamente o nosso space brother Spock, a essas alturas.

 

Chegamos, é verdade, a fazer ótimas partidas – em determinado momento da competição, éramos inclusive os queridinhos de parte da mídia supostamente especializada – e estávamos mesmo jogando muito bem, principalmente nas partidas disputadas longe de Volta Redonda.  Porém, há pelo menos um mês, caímos delirantemente de produção, não vemos sequer a cor da bola!

 

Ah, e como não recordar?, há ainda o desmonte!  Perdemos uma série de jogadores importantes, desde o Carioca – os andarilhos Fabiano Eller e Antônio Carlos, que formavam nossa zaga titular, o bobo-da-corte Diego, no Inferno rebatizado Diego Souza, que trocou uma mão na taça por um pé no lodo, e o maluco-burrão do Felipe que, demonstrando uma ingratidão injustificável, resolveu surtar na hora errada, e também vazou, ou foi vazado, desmontando metade de nossa meiúca.

 

Sejamos francos: tá tudo errado, e, no entanto, incrivelmente, tá tudo certo.  Vai entender...

 

Eu só peço ao meu padroeiro, meu São Celso Barros, pra não acreditar que, com esse time, do jeito que está, vai dar pra encarar a temporada do ano que vem, uma Libertadores, e tal... porque não vai dar, não, hein...

 

E o pior é que tou achando que, pelo andar da carruagem corintiana, a configuração final desse Brasileiro vai ser ainda melhor do que a encomenda – um sprint final pro título, aê, quem topa, quem vai?...

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Deep Purple

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Shows do Deep Purple, à parte a notória competência da banda em cima de um palco, e de seus eternos hinos “Highway Star”, “Smoke On The Water”, “Black Night” e “Fireball”, deixaram de ser, a rigor, já há muito tempo, programas obrigatórios, ou imperdíveis, eis que já vai longe a fase áurea da banda, na década de 70.   

E, como se não bastasse o passar dos anos, o próprio time já anda bem desfalcado, há bom tempo.  Afinal, da chamada formação clássica, Blackmore-Gillan-Lord-Paice-Glover, praticamente metade já vazou da banda, por motivos variados – menos mal que Steve Morse e Don Airey, os dois experientes músicos que substituíram, respectivamente, Ritchie Blackmore e Jon Lord, na guitarra e nos teclados, mantiveram a pegada, sem problemas. 

No entanto, a quinta aparição em terras tupiniquins  – a banda faz apresentações no Rio e em São Paulo essa semana – desse gigante do rock internacional traz embutido, desta feita, um componente diferente: eles acabam de lançar um cd, de estúdio, cuja qualidade há muito não se ouvia.  “Rapture Of The Deep”, o título do trabalho, retoma a tradição purple de hard rocks bem encaixados, meio que abandonada desde meados dos anos 90 – talvez “Purpendicular” seja, mesmo sem ser brilhante, o último da banda nessa linha, uma vez que o álbum seguinte, “Abandon”, embora bem pesado, tenha deixado a desejar em diversos aspectos.   E, principalmente pra quem teve acesso ao lamentável “Bananas”, por exemplo, apinhado de baladinhas sem sal, da turnê de dois anos atrás, “Rapture Of The Deep” representa seguramente a volta do velho Purple.  Resta conferir como é que esses vovôs-garotos irão fazer esse material novo funcionar no palco, junto aos velhos clássicos.   

Um de seus shows recentes, no México, dá a pista do que podemos esperar por aqui – ao que parece, a banda anda apostando numa dobradinha de sucesso, a de mesclar faixas clássicas com o novo repertório, abrindo espaço para os tradicionais vôos solos de seus integrantes, porém com algumas surpresas, conforme comprova o setlist a seguir:  1) Fireball, 2) Strange Kind of Woman, 3) Wrong Man, 4) Kiss Tomorrow Goodbye, 5) Demon´s Eye, 6) Rapture of the Deep, 8) Don Airey solo (contendo teasers dos temas de Star Wars e de 2001 Uma Odisséia no Espaço!), 9) Perfect Strangers, 10) Highway Star, 11) Space Trucking, e 12) Smoke on the Water, trazendo, no bis, mais três pérolas púrpuras de grosso calibre, 1) Lazy, 2) Hush (incluindo solo de Ian Paice), e 3) Black Night (fechando o show com alucinante performance solo de Roger Glover). Meu ingresso, por via das dúvidas, já tá na mão – sexta-feira próxima, dia 04 de novembro de 2005, Claro Hall, 22h30min. 

Quem quiser maiores informações sobre ambos os shows e, inclusive, se for o caso, já ferrar os ingressos, basta clicar nos links relacionados a seguir:  http://www.ticketmaster.com.br/shwReleaseDetail.cfm?releaseID=505 ou http://www.ticketmaster.com.br/shwReleaseDetail.cfm?releaseID=533

     

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