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O Tempo é o Maior Depurador: sobre o Flu de Assis, Washington & Cia

Por Marcelo Pitanga on Março 12,2007

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Quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 1994, Armando Nogueira escreveu uma coisa que jamais vou me esquecer. Dizia ele, ao ser perguntado se aquela Seleção seria lembrada pelo torcedor como boa de bola ou não, que o “tempo seria o maior depurador” para se saber. Afinal a então última seleção canarinho campeã tinha sido nada mais nada menos que a de Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson (sem esquecer os tricolores Felix e Marco Antonio). Uma seleção de cobras, aquela. Porém, sobre o time do Parreira, que venceu nas terras do Tio Sam, dizia que com o tempo iríamos ter a resposta para aquela pergunta com mais exatidão.

 

Enquanto lia aquela matéria, ainda bebendo às custas do pênalti batido pelo Baggio (sem esquecer também do golaço aço aço do tricolor Branco contra a Holanda), voltei cerca de dez anos no tempo. De 1994, viajei nas lembranças do Fluminense de 83, 84 e 85. Que eu tanto vi jogar. Que alguns críticos da época diziam que era um timinho, ou um time “mais ou menos”. E resolvi fazer a reflexão proposta pelo Armando Nogueira: será que aquele time era ou não incontestável? E já naquele tempo eu sabia a resposta, claro. E esse é o motivo desta coluna. Provar a quem quiser duvidar.

 

Como a teoria proposta não faz menção a quantidade de tempo que devemos esperar para a tal depuração, podemos então novamente fazê-la agora, vinte e poucos anos depois.

 

Aquele Fluminense tinha Paulo Vitor no gol: sem dúvida o melhor goleiro que vi jogar com a camisa tricolor. Sua capacidade de “administrar” nossas vitórias era fantástica. Tinha Ricardo Gomes na zaga, Branco na lateral esquerda. Dispensam comentários. O cracaço Delei comandando o meio de campo, esbanjando habilidade junto com Don Romero, o jogador paraguaio mais brasileiro que já se teve notícia. Um craque que se apaixonou pelo Rio de Janeiro, e soube acima de tudo ser tricolor.

 

No ataque o Casal 20 com Assis e Washington, uma dupla tão afinada como arroz com feijão ou queijo com goiabada, digamos assim. Sabiam fazer gols com os pés, ou com cabeçadas fulminantes. Gols feios, e golaços. Nas rodas de violão que freqüentava na época se tornou obrigatório incorporar versões como “se foi Assis, Assis será”, na música “Nos Bailes da Vida” de Milton Nascimento. Ou ainda “Aqui na Terra estão jogando futebol, tem muito samba e muito gol de Washington”, paródia que provavelmente teria sido aprovada com louvor pelo tricolor Chico Buarque em sua letra “Meu Caro Amigo”.

 

Na ponta esquerda Tato e Paulinho se revezavam nos dribles, nos cruzamentos precisos, nos gols decisivos. Para desespero dos pobres laterais.

 

Ainda tinha mais: Duílio, um líder na defesa. Um gigante. Depois veio o Vica, que o substitui a altura em praticamente todos os quesitos. Jandir, que conseguia dar uma proteção à zaga que hoje dois cabeças de área, juntos, não conseguem. E ainda saía jogando, ajudando na criação... isso sem deixar no esquecimento os reservas de luxo Leomir e Renê. Reservas nada, titulares também.

 

Faltou o Aldo: um lateral direito que só de abater um urubu em pleno gramado do Maracanã antes do famoso Fla-Flu de 83 já merecia o meu crédito e a minha admiração.

 

É, aquele time não merecia, nem precisaria esperar anos para ser depurado. Era um timaço, uma seleção, que sabia como poucos vencer um adversário, com facilidade, mesmo que por apenas 1 a 0. Fazendo o gol no início do jogo, ou simplesmente no último minuto. Raul que o diga. Um grupo com vocação para a vitória, unido, talentoso, mas que por teimosia dos Deuses do Futebol, praticamente não foi aproveitado na Copa do México de 1986. Se fosse, não precisaríamos talvez esperar 24 anos para conquistar o tetra, mas “apenas” 16. E aquela pífia seleção de Elzos, Carlos, Edsons, Casagrandes e todos os veteranos, que sobraram da batalha perdida para Paolo Rossi no Sarriá em 1982, não teria existido, definitivamente.

 

Sobre a Seleção de 1994, deixo a depuração para vocês fazerem. A daquele nosso Fluminense, que considero mais importante, eu fiz.

 

Saudações Tricolores sempre!

 

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comment Comentários (9 postados)
  • image Excelente comentário, especialmente por exaltar um time que sempre soube controlar e vencer seus jogos com autoridade. Só a imprensa rubro negra e vascaína, por motivos óbvios não reconhece isto. Parabéns!!!!! e Saudações tricolores!!!!!
    (Postado por Sergio Binda, Junho 23, 2007, 4:36 PM)
  • image Desculpe, 1989.
    (Postado por Ângelo Corbo, Junho 15, 2007, 4:47 PM)
  • image E eu fui ao maraca ver a estréia de Romerito, contra o Santo André, de geral, hehehe, 1 a 0 nós, gol de Washington. Pitanga faz uma cronica daquele jogo contra o vasco que vimos em Iriri, em 1999, lembra? Ganhamos na prorrogação, naquela quarta feira antes do carnaval.....
    (Postado por Ângelo Corbo, Junho 15, 2007, 4:23 PM)
  • image Pitanga, muito boa a lembrança daquela verdadeira máquina de conquistar títulos! Um ponto interessante e que mostra a força daquele time é que, no triênio, se não me engano teve 4 técnicos diferentes (Cláudio Garcia, Carbone, Parreira, CA Torres, a confirmar...), vencendo campeonatos com todos eles! Saudações Tricolores.
    (Postado por Rogério Felix, Março 13, 2007, 7:22 AM)
  • image Mais um excelente texto.Tomara que o Flu volte a ser pelo menos parecido com esse time, o que com certeza daria muitas alegrias à nossa torcida.
    (Postado por Sidney Dupeyrat de Santana, Março 13, 2007, 1:54 AM)
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