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Eu Por Mim Mesmo

Por Marcelo Pitanga on Março 01,2007

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Apresentação: Eu, por mim mesmo

 Quando eu fiz 15 anos resolvi aprender a tocar violão, Acho que queria ser famoso, fazer shows, sei lá. Essa vontade, claro, passou. Embora tenha aprendido um pouco o dedilhado, minha afinação não me fez mais que ser um tocador de roda de violão. E dos bem modestos. Sempre que ia a um show qualquer, ridicularizava alguns artistas que simplesmente chegavam no palco, cantavam as músicas, sem nem ao menos se apresentar à platéia. Também achava estranho, por outro lado, o cara chegar lá e antes de tocar alguma coisa ficar falando da sua vida. Tempos depois resolvi tentar o caminho das letras. Queria ser escritor. Logo percebi que dava mais pra tocar violão mesmo. Porém nunca me surgiu uma oportunidade de fazer um show com meu violão, mas sim uma chance de escrever no site Torcida Tricolor. Falar do Fluminense! Minha paixão mil vezes maior do que o pinho e os books. Topei esse desafio. Assim estou tentando nessa aventura, proceder tal como eu achava que o artista deveria fazer. E, analogamente ao espetáculo, improvisar a seqüência tão idealizada: comecei então falando um pouco de nossa torcida, como se fosse uma música forte pra abrir o “show”. Após os muitos aplausos que recebi (dois, na verdade), vou agora falar de mim. Como tricolor, of course. Meu nome é Marcelo Pitanga Silvares de Almeida, mas sou conhecido desde guri como Pitanga. Claro, meus pais me deram um nome super comum para os nascidos em meados dos anos 60. Apesar de minha família não torcer pelo Fluminense, eu assim escolhi. Talvez pela beleza da camisa, talvez pelos títulos que conquistava, talvez pela minha precoce inteligência e bom gosto, modéstia à parte. Tenho dois irmãos mais novos do que eu: o caçula eu fiz ser Fluminense também. Casei em 2003 com a Alessandra, e temos um filho chamado Enzo, que completou recentemente 2 anos. Ele, desde que se entendeu por gente, já conhecia o escudo do nosso time. Genética, talvez. E já estreou no LANCE! com uma foto vestido com o uniforme tricolor. Quando fiz 9 anos adorava tanto futebol que sabia de cor as escalações de todos os times que tinha acesso. Fui parar na antiga e extinta TV Tupi, no Programa Operação Esporte do saudoso baiano Carlos Lima. Era uma novidade uma criança falando de futebol tão, digamos, intensamente e descaradamente. Minha aparição me rendeu umas linhas no Jornal dos Sports. “Um menino tricolor que sabe tudo de bola”. O Parreira, então preparador físico, me elogiou publicamente. Em tempos de censura, diziam que eu só apareci na TV porque o Juiz de Menores era Fluminense doente. Assim como eu, que àquela altura já acompanhava os jogos do time como dava. Para desespero do meu pai, todo jogo que tinha no Maracanã eu pedia para ele me levar. Alguns eu ia, outros eu ficava chorando em casa. Doido para crescer rápido. Nos jogos à noite, então, escondia o rádio de pilha por debaixo do travesseiro. Dormia quase sempre na metade do segundo tempo, e ia saber o resultado no jornal do dia seguinte. Vi os gols do ídolo Manfrini. Vivi a “bela época” da Máquina de Rivelino e cia. Algum tempo depois do Horta, voltei à TV Tupi, convidado para um jogo de perguntas: fui responder pelo Fluminense. As perguntas eram ridículas, mas a graça era um menino lá na televisão defendendo o nosso tricolor. O Sylvio Kelly foi ao programa e me deu de presente uma camisa oficial do Edinho, que nem dava para usar de tão grande que era. Tenho-a até hoje guardada. Quando comecei a não depender do meu pai me levar ao Maracanã, passei a não perder mais jogo; domingo, quarta, domingo, quarta, quantas vezes as tabelas dos campeonatos mandassem.  Por morar em Niterói entrei logo na Torcida Flunitor e depois fui parar na Young Flu, época do Seu Armando. Era um dos três únicos integrantes da torcida que morava do outro lado da Baia de Guanabara. Em pouco tempo fui levando o pessoal de Nikity para a Young. Em 1981 fundamos a Young Niterói (e me colocaram como “presidente”), sem dúvida a primeira “filial” de uma torcida. A novidade só fez crescer a Young Flu, ao longo dos anos 80. Vivi a era do Casal 20 de Assis e Washington. Em 1984, envolvido numa confusão com a torcida do Corinthians na semi final daquele Brasileiro, levei um tiro na mão direita, uma lembrança doce e amarga daquele nosso título. 

Esse fato fez com que minha mãe achasse que eu iria mudar de vida. Que nada! Continuei freqüentando o Maracanã, as Laranjeiras, o Morumbi, o Mineirão e tantos outros Estádios atrás do Fluminense. Também ginásios, acompanhando nossos esportes amadores. Fui de carona pra Teresópolis para ver um jogo de vôlei feminino numa quarta feira à noite. Voltei pra casa no dia seguinte, com o ônibus do clube.

 Vi os gols de Assis contra Raul e Fillol. Vi o gol de barriga do Renato. Depois desses jogos eu também voltei pra casa no dia seguinte. Vivi e sobrevivi aos anos amargos dos rebaixamentos. Não abandonei o Fluminense quando ele mais pareceu não gostar de mim. Tal como num casamento, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Não faltei aos jogos contra ABC, Joinville, CRB, Goiânia e Dom Pedro da vida, mas com orgulho faltei à esdrúxula e escrota comemoração do champgne. Um fato digno de pessoas insignificantes. Com o inicio do mundo virtual “dáblio dáblio dáblio” fui intimado pelo Mauro Sorage a fazer parte da Sabedoria Tricolor.  Sorage, que me conhecia, assim como a maioria, sem exagero, dos tricolores niteroienses hoje na faixa dos 40 anos. Embora o Sorage seja um pouco mais velho... Com a Sabedoria passei a conhecer mais e mais tricolores, a reencontrar alguns velhos amigos, e a freqüentar o clube com mais assiduidade. Entrei de sócio em 2003, e logo passei a fazer parte de outro grupo virtual: a Flusócio. Comecei a escrever um livro contando tudo isso e muito mais... ainda não terminei. Não quero esquecer de nada. E tenho a preocupação de não me achar mais tricolor que nenhum de vocês. Pois na verdade não sou. No fim do ano passado, amargurado com nossa torcida, entrei na Comunidade do Orkut da Legião Tricolor. Já falei disso em minha estréia. Fiz mais amigos e aqui estou eu agora como colunista da Torcida Tricolor. Aspirante à Academia Brasileira de Letras com certeza... Tudo isso eu faria de novo, se preciso fosse. Pelo Fluminense!  

 


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