|
Pensando em estrutura
Dec 22,2008 00:00
by
Guilherme Soares Bastos
Quando iremos aprender?
Torcida Tricolor,
Em tempos de festas de fim de ano, me dei o direito de adiar esta coluna por uma semana, de forma a amadurecer as idéias. O fato é que chegamos ao fim campeonato mais emocionante da era “pontos corridos” e os times que conquistaram as primeiras posições, sem exceção, foram times que associaram infra-estrutura (centro de treinamento e administração profissional do futebol, orçamento estruturado etc) a uma parceria financeira (parceria e não servidão financeira). Senão, vejamos:
São Paulo – há 3 anos domina a futebol nacional. Não conquista todos os títulos que disputa, mas entra em todo e qualquer campeonato com um dos principais favoritos. Tem o maior estádio particular de futebol do mundo, tem 2 centros de treinamento com gabarito internacional e é referência em recuperação fisioterapêutica de atletas. Foi eliminado pelo Flu nas quartas-de-final da Libertadores, passou por uma crise interna mas a estrutura trabalhou com o técnico e recuperou psicologicamente a equipe. Na famosa “janela européia” do meio do ano, tinha pelo menos um substituto (às vezes dois) para cada jogador que seria negociado. Tem suas mazelas, mas, sem duvida, é o benchmark do futebol tupiniquim.
Grêmio – Ainda vivendo o alivio e o medo de uma segunda divisão e de um campeonato gaúcho claudicante, este time foi a grande surpresa do campeonato. Foi favorecido por um primeiro turno muito bom, quando muitos dos favoritos ainda não tinham formado seus elencos ou estavam disputando Libertadores ou Copa do Brasil. Mas de fato é um clube com ótima estrutura profissional. É um exemplo que infra-estrutura profissional não é tudo (já que foi rebaixado) mas que ajuda muito quando se monta um grupo pelo menos razoável tecnicamente falando. Não ao acaso, foi campeão brasileiro sub-20 neste fim de semana.
Cruzeiro e Palmeiras – A Toca da Raposa, centro de treinamento do Cruzeiro, é referência nacional há pelo menos 20 anos. Vem se mantendo em posição de destaque no futebol brasileiro nos últimos 5 anos. Já o Verdão é uma panela de pressão política, mas se mantém entre as estruturas mais profissionais de nosso futebol. Tem uma comissão técnica caríssima porém competente e uma parceria financeira que viabiliza jogadores de primeira linha.
Enquanto isso, nosso Tricolor reina nas divisões de base a nível estadual, participa com sucesso de alguns torneios internacionais mas há muito tempo não alcança uma conquista a nível nacional. Se considerarmos que nossos concorrentes locais (mulambos, bacalhaus e cachorrada) de forma nenhuma primam pela infra-estrutura, Xerém acaba tendo um destaque que, na verdade, não é merecido. Somos algo como “o melhor dos piores” nas divisões de base. No inicio deste ano, nosso presidente fez questão de afirmar que o futebol profissional seria transferido para lá. Mais um plano que não deu certo. Agora, afirma que teremos uma estrutura melhor que a do São Paulo até 2010. Seria ótimo, se verdade fosse.
Infra-estrutura não compensa um time mal montado, uma comissão técnica mal escolhida e muito menos uma diretoria incompetente. Vide os Patéticos do Paraná, que desfrutam sim de boa estrutura mas que tiveram desempenho pífio no campeonato. Ou mesmo os Figuinhas, que também são bastante organizados e mesmo assim foram rebaixados. Por outro lado, sem ela, o esforço para alcançar títulos é infinitamente maior. Daí a quantidade exígua de títulos que conquistamos nos últimos anos, mesmo com bom patrocínio e times de qualidade técnica considerados entre os melhores do país. Que a diretoria Tricolor fale menos e trabalhe mais.
Em tempo: semana que vem, uma reflexão sobre o ano tricolor.
Em tempo 2: Feliz Natal e que Deus abençoe a todos. Muita Paz e muita saúde. Saudações tricolores
|