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A incrível aposta que fiz
Jun 05,2007 00:00
by
marcelo
No inicio dos anos 90 a moda era ir para Búzios nos finais de semana. Muita gente alugava casa lá, o happy hour da Praia da Tartaruga era maravilhoso, a Praia de Geribá era recheada de pessoas bonitas, a Rua das Pedras repetia a dose à noite. Eu, claro, aderi à moda. Pousadas, casas de amigos, onde dava lá estava eu com minha bagagem: meu violão, uma ou duas sungas, camisa de sair, bermuda, boné do Asa de Águia e camisa do Fluminense. A camisa tricolor tinha uma explicação: jogo no Maracanã no domingo me fazia voltar de Búzios mais cedo para ir ao Maior do Mundo. Pra mim isso não era novidade. Em 1994, resolvi entrar num aluguel de uma casa perto da Tartaruga com amigos, amigos de amigos, e amigos de amigos de amigos. Uma vez o Fluminense iria enfrentar o Vasco. Um desses amigos de amigos era vascaíno, e quando soube que eu iria sair de Búzios direto para o Maracanã para assistir ao jogo, ele se animou, e disse que iria também. Quem não me conhecia me chamava de maluco por sair domingo cedo para ir pro Maracanã, mas eu nem ligava já estava acostumado, isso sempre foi assim, só mudava a origem da viagem, o destino era sempre onde o Fluminense jogava. Como o vascaíno estava querendo me sacanear dizendo pra ficar em Geribá, eu resolvi fazer uma aposta com ele das mais malucas. Apostei um rodizio no Porcão. “Vai ser 1 a 0 gol do Mario Tilico”, falei. Tilico era um jogador folclórico, ora fazia jogadas de craque ora de perna de pau. Aliás o grande característica dele era talvez combinar as duas coisas numa mesma jogada. Dava um drible desconcertante em um ou dois jogadores e depois cruzava por trás do gol, por exemplo. Mas voltando a aposta, eu disse que qualquer placar diferente de vitória do Flu com gol do Mario Tilico eu perderia. Ainda cheguei a falar que se fosse 2 a 0, um gol do Mario Tilico e outro do Ezio eu pagava o rodízio. Naquele domingo acordo cedo, não sei como, como um sanduba, parto de carro para o Maracanã. Começa o jogo, eu me lembro da aposta maluca que eu havia feito. Olho pro outro lado da arquibancada e fico imaginando se o vascaíno está lá ou se amarelou de ir ao jogo, já que eu saí de Búzios e o deixei lá na casa dormindo. Primeiro tempo zero a zero. No meio do segundo tempo, porém, acontece o que eu estava “adivinhando”. Luis Antonio enfia uma bola na medida, MarioTilico recebe e vence Carlos Germano. GOOOOLLL do Fluminense e de quem? Mario Tilico! putaqueoparil eu disse isso, eu não acredito, eu não acredito! Mas nem tudo é perfeito: infelizmente, perto do fim do jogo, o Vasco chegou ao empate, Valdir, e acabou com a minha vitória na aposta. Perdi um rodízio no Porcão, mas aqueles minutos de alegria no Maracanã, eu com o rei na barriga, aquela expressão de eu já sabia, imaginando que o vascaíno deva estar querendo o suicídio. Chego em casa, cansado, toca o telefone; por incrível que pareça era o vascaíno da aposta. Quando achava que ele iria me cobrar o rodízio, eis que ele vem me dizer que agradecia muito, mas que tinha que me contar um segredo. Ele disse que quando viu o gol do Fluminense, que foi no lado da torcida tricolor ele começou a ficar nervoso.. Quando ele viu no Placar Eletrônico o nome do Mario Tilico ele começou a se desesperar, imagina perder uma aposta assim, o que ele seria sacaneado, era capaz de anunciar na Rua das Pedras de Búzios, e aí ele disse que fez uma promessa: se qualquer jogador fizesse um gol naquele jogo, mesmo que fosse do Fluminense, só para não perder a aposta, ele não cobraria o rodízio. Para a felicidade dele o Valdir empatou. Para a minha, ele fez essa aposta e não teve vergonha de contar. Pediu somente para eu abafar o caso, concordei, e nunca mais se falou nisso enquanto aquela turma alugava aquela casa em Búzios. Sem comentários, só mesmo a paixão pelo Flu e o Mario Tilico pra me fazer uma dessa! |